Endividamento

 

 

Endividamento compulsivo.

 

O que é o endividamento compulsivo?

Endividamento compulsivo é uma doença. Nós descobrimos que é uma doença que nunca melhora; somente piora com o passar do tempo. É uma doença progressiva em sua natureza, que não pode jamais ser curada, mas pode ser detida.

Antes de chegar ao D.A., muitos devedores compulsivos achavam-se pessoas irresponsáveis, moralmente fracas, ou, às vezes, simplesmente “más”. O conceito do D.A. é o de que o devedor compulsivo é uma pessoa realmente doente que pode se recuperar caso ele ou ela siga, com toda sinceridade, um programa simples, que já provou ser um sucesso para outros homens e mulheres com um problema similar.

Como devedores compulsivos, nós nos enquadramos em padrões de gastos que não satisfazem nossas necessidades reais. Alguns de nós temos deixado de pagar cronicamente nossas contas e dívidas, mesmo quando tínhamos dinheiro para pagá-las. Ou nós temos feito pagamentos fielmente para um ou dois dos credores e negligenciado os outros. Alguns de nós têm simplesmente ignorado nossas dívidas por algum tempo, na esperança de que, de alguma maneira, elas iriam ser pagas milagrosamente. Alguns de nós têm sido gastadores compulsivos, cobrindo-nos com coisas que não necessitamos nem queremos. Quando nós nos sentiamos carentes ou que algo estava faltando, nós esbanjávamos dinheiro em algo que não podíamos pagar. Nós gastávamos compulsivamente, entrávamos em dívidas, nos sentiamos culpados, prometíamos que nunca faríamos isto de novo, e apenas repetíamos o mesmo cicio na próxima vez que o sentimento de “não sermos o suficiente” aflorasse. Tendo gasto além da conta, nós frequentemente não tinhamos nada para mostrar no que gastamos, e ficávamos nos perguntando para onde foi todo aquele dinheiro. Alguns gastadores compulsivos não estão realmente endividados, mas mesmo assim são bem-vindos ao D.A. O único requisito para ser membro do D.A. é o desejo de evitar fazer dívidas sem hipoteca (garantia).

Alguns de nós têm sido empobrecidos compulsivos, permitindo-nos ficar frequentemente sem dinheiro, batalhando de uma crise financeira para outra. Há ainda alguns de nós que acham quase impossível gastar dinheiro consigo mesmos. A televisão estraga e fica estragada; aquele par de sapatos, pronto para ser aposentado, é obrigado a rodar mais um ano ainda; até problemas de saúde e dentários não são cuidados.

Esta doença afetou nossa visão de nós mesmos e do mundo à nossa volta. Ela levou-nos a acreditar que não éramos “suficientes” em casa, no trabalho, em situações sociais, em relacionamentos amorosos. Ela também nos levou a crer que não há o suficiente no mundo lá fora para nós. Esta doença criou uma sensação de pobreza em tudo o que fazíamos e víamos.

Em reação a isso, nós nos recolhíamos para um mundo de fantasias, ficávamos preocupados com dinheiro, e evitávamos responsabilidades.

Como o endividamento compulsivo afetou nossas vidas?

O uso de crédito sem hipoteca ou garantia destruiu nossa auto-estima, feriu nossas famí1ias e criou uma série de problemas. Nós estávamos com medo. Nós passávamos noites sem dormir. Nós temíamos abrir nossa correspondência por medo do que iríamos encontrar. Nos vivíamos perseguidos por extratos computadorizados sem fim, cobradores e advogados. Nós podemos até ter desenvolvido sintomas fisicos por causa da preocupação. Membros da família nos rejeitaram ou, mais comumente, nós os evitamos, porque nós devíamos dinheiro a eles. Outros parentes, que tinham se compadecido de nossa situação a princípio, eventualmente cansaram de escutar nossas reclamações sobre nunca ter o suficiente para cumprir nossos compromissos.

Quando nós participamos da nossa primeira reunião do D.A., nós estávamos perdidos por muitas perdas: perda de salário, que havia sido engolido por dívidas e por gastos compulsivos; perda de fé; perda de respeito próprio e paz de consciência; perda de amizades; algumas vezes de saúde, emprego e família. Muitos de nós buscamos ajuda de vários indivíduos ou organizações, mas sempre acabávamos sentido-nos como se ninguém entendesse nosso problema. Nossa solidão fez com que nos recolhêssemos mais e mais em nós mesmos. Nós perdemos a vitalidade e o interesse na vida. Muitos de nós chegamos, na verdade, a ficar paralizados pelo medo e falta de coragem. Nós não podíamos trabalhar ou cuidar de nós mesmos ou de nossos entes queridos apropriadamente. Alguns de nós achamos que estávamos ficando loucos e outros chegaram a contemplar o suicídio.

Esse senso de desespero, ou “chegar ao fundo do poço”, foi nosso primeiro passo em Devedores Anônimos. Nós vimos que nossas tentativas de esquematizar e manipular nossas vidas nunca funcionaram. Nós admitimos que éramos impotentes perante dívidas. Nós estávamos prontos para pedir ajuda.